O Instituto Nacional do Seguro Social conclui nesta sexta-feira, 7 de agosto de 2026, a liberação dos pagamentos referentes à folha de julho. Os depósitos, iniciados no dia 27 de julho, chegam a cerca de 42 milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários da Previdência Social e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em todo o país.

Quem ainda não recebeu tem até o fim do dia para verificar o crédito na conta. E como o fim de um ciclo de pagamento costuma ser justamente o período em que golpistas mais se aproveitam para enviar mensagens falsas sobre bloqueio ou liberação de valores, vale entender tanto o calendário oficial quanto os cuidados que evitam prejuízo.

Como o INSS organizou os depósitos de julho

O calendário funciona por dois critérios: o valor do benefício e o número final do cartão, sem considerar o dígito verificador que aparece depois do hífen. Um benefício com numeração 0108-4, por exemplo, é pago conforme o número 8.

Os dois grupos seguem cronogramas diferentes. Quem recebe até um salário mínimo — hoje fixado em R$ 1.621,00 — teve os depósitos escalonados por um final de cartão a cada dia útil, começando em 27 de julho (final 1) e terminando nesta sexta (final 0). Quem recebe acima do piso, até o teto previdenciário de R$ 8.475,55, começou a receber em 3 de agosto, com dois finais de cartão liberados por dia útil, também concluindo o ciclo em 7 de agosto.

Final do benefícioData do pagamentoFaixa de valor
127/07Até 1 salário mínimo
228/07Até 1 salário mínimo
329/07Até 1 salário mínimo
430/07Até 1 salário mínimo
531/07Até 1 salário mínimo
603/08Até 1 salário mínimo
704/08Até 1 salário mínimo
805/08Até 1 salário mínimo
906/08Até 1 salário mínimo
007/08Até 1 salário mínimo
1 e 603/08Acima de 1 salário mínimo
2 e 704/08Acima de 1 salário mínimo
3 e 805/08Acima de 1 salário mínimo
4 e 906/08Acima de 1 salário mínimo
5 e 007/08Acima de 1 salário mínimo

Quem recebe o piso é sempre pago primeiro, e quem tem valores maiores começa alguns dias depois. Esse desenho existe há anos e serve para evitar concentração de saques e filas nas agências logo no início do mês.

Quais benefícios seguem esse mesmo calendário

O cronograma não vale só para aposentadoria. Seguem a mesma tabela de datas a pensão por morte, o auxílio-reclusão, o salário-maternidade, o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) e o BPC — este último pago a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, mesmo sendo um benefício assistencial e não previdenciário.

Isso gera uma confusão comum: muita gente associa o calendário do INSS ao pagamento de salário de quem trabalha com carteira assinada, mas são sistemas totalmente diferentes — um segue a data de fechamento da folha da empresa, o outro segue o final do número do benefício.

Por que o reajuste é diferente entre quem ganha o piso e quem ganha acima dele

Em 2026, o piso previdenciário passou de R$ 1.518,00 para R$ 1.621,00, um reajuste de 6,79%. Já os benefícios acima do mínimo foram corrigidos em 3,9%, elevando o teto de R$ 8.157,41 para R$ 8.475,55. Os dois valores foram oficializados pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de janeiro deste ano.

A diferença entre os dois percentuais não é aleatória: quem recebe o piso é reajustado pela política de valorização do salário mínimo, que soma a inflação (INPC) ao crescimento do PIB de dois anos antes — por isso o índice fica mais alto. Já quem recebe acima do mínimo tem o benefício corrigido apenas pelo INPC, sem o componente de crescimento econômico, o que representa apenas reposição de perdas com a inflação, sem ganho real.

Vale registrar que o BPC segue sempre o valor do salário mínimo — ou seja, os R$ 1.621,00 valem tanto para quem se aposentou com esse valor quanto para quem recebe o benefício assistencial.

Como consultar se o pagamento já caiu

Quem quer confirmar o depósito tem três caminhos: pelo aplicativo ou site do Meu INSS, fazendo login com CPF e senha da conta gov.br e acessando a opção "Extrato de Pagamento", onde aparecem valor, data e banco do crédito; pela Central de Atendimento 135, disponível de segunda a sábado, das 7h às 22h; ou pelo aplicativo do banco onde o benefício é mantido.

O extrato de pagamento também é a forma mais segura de conferir se o valor recebido está correto — sobretudo neste ano, em que o reajuste diferente para cada faixa de renda tem gerado dúvidas sobre se o percentual certo foi aplicado.

O que fazer se o pagamento não cair até sexta

Quando o depósito não aparece na conta na data prevista, o primeiro passo é conferir o extrato pelo Meu INSS antes de supor algum problema — em muitos casos o valor já está disponível, mas o banco ainda não processou a movimentação. Se o extrato mostrar que o pagamento não foi efetivado, o caminho é abrir uma reclamação pela Central 135 ou por uma unidade de atendimento, já que atrasos podem ter causas distintas: desde inconsistência cadastral até bloqueio temporário do benefício, geralmente ligado à falta de atualização da prova de vida ou de dados pessoais.

Manter o cadastro atualizado — endereço, telefone, e-mail e conta bancária — evita boa parte desses transtornos, especialmente para quem trocou de banco ou mudou de cidade recentemente.

Cuidado com mensagens sobre "liberação" ou "bloqueio" do pagamento

O fim da folha de pagamento é justamente o período em que mais circulam mensagens falsas sobre o benefício. Golpistas têm usado ligações e WhatsApp simulando a Central 135 para alertar sobre suposto bloqueio iminente e pedir dados pessoais ou bancários para uma "regularização" — um golpe que não existe nos canais reais do INSS.

Outro padrão recorrente é o link falso enviado por SMS ou WhatsApp, que imita a página do Meu INSS e pede CPF e senha para "consultar o valor disponível". O INSS reforça que não solicita dados pessoais, senha, foto do rosto ou informações bancárias por telefone, aplicativo de mensagem ou e-mail, e que não cobra nenhuma taxa para liberar valores. A orientação, diante de qualquer contato desse tipo, é não clicar em links recebidos e conferir a informação diretamente pelo aplicativo oficial ou pelo telefone 135.

Quando começa o próximo calendário

Encerrada a folha de julho, o próximo ciclo já está definido. Para quem recebe até um salário mínimo, os depósitos referentes a agosto começam em 25 de agosto e vão até 8 de setembro. Já os benefícios acima do piso começam a ser pagos em 1º de setembro, seguindo o mesmo critério de final do cartão.

O intervalo entre o fim de uma folha e o início da seguinte é normal: o calendário do INSS não segue o mês corrido, mas um cronograma fixo definido com antecedência para todo o ano, o que permite ao segurado se planejar mesmo antes de o mês terminar.