Arritmia cardíaca: conheça os tipos e saiba quando a palpitação e um sinal de alerta!



Mais de 20 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de arritmia, segundo a SOBRAC. Veja os principais tipos, os sintomas que merecem atenção e quando procurar ajuda médica.

Um disparo repentino no peito, uma batida que parece "falhar", a sensação de que o coração está lento demais. Muita gente atribui esses episódios à ansiedade, ao cansaço ou ao excesso de café, e às vezes é isso mesmo. Mas eles também podem ser sinal de uma arritmia cardíaca, alteração que faz o coração bater de forma irregular, rápida ou lenta demais.

O problema é mais comum do que parece. De acordo com a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), mais de 20 milhões de brasileiros têm algum tipo de arritmia. Ela pode aparecer em qualquer idade e, em parte dos casos, não provoca sintoma nenhum. Por isso é tão importante saber reconhecer os sinais e fazer os exames certos.

Um problema na "parte elétrica" do coração

Para entender a arritmia, vale lembrar que o coração funciona com um sistema elétrico próprio. Um pequeno grupo de células gera impulsos que percorrem o órgão e fazem o músculo se contrair de forma coordenada, batida após batida.

Quando algo falha na produção ou na passagem desses impulsos, o ritmo se altera. O coração pode acelerar, desacelerar ou bater de maneira desorganizada.

Como referência geral, um adulto em repouso costuma ter entre 60 e 100 batimentos por minuto. Mas o número sozinho não diz tudo: o que importa é o contexto, a frequência dos episódios e os sintomas que aparecem junto.

"Existem diferentes tipos, com mecanismos, sintomas e riscos distintos. Por isso, é importante que a pessoa saiba reconhecer alterações no ritmo cardíaco e procure avaliação quando os sintomas são novos, frequentes ou intensos", afirma o cardiologista Cristiano Faria Pisani, presidente da SOBRAC.

Os tipos mais conhecidos

TipoO que aconteceO que a pessoa pode sentir
Fibrilação atrialRitmo desorganizado nas câmaras superiores do coraçãoPalpitação, falta de ar, cansaço, tontura, ou nenhum sintoma
TaquicardiaCoração acelerado além do esperado para a situaçãoDisparo no peito, tontura, fraqueza, desconforto, desmaio
BradicardiaCoração lento demais para atender o corpoCansaço excessivo, tontura, confusão mental, desmaio
ExtrassístoleBatimento que chega antes da horaSensação de "falha" ou de batida mais forte

Fibrilação atrial: a que mais preocupa pelo risco de AVC

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum nos consultórios. Nela, os átrios, as duas câmaras superiores do coração, perdem o ritmo organizado e passam a tremer em vez de contrair direito. O resultado são batimentos irregulares.

O maior perigo está no que pode acontecer depois. Com o sangue circulando de forma menos eficiente dentro do coração, aumenta a chance de formação de coágulos. Se um deles se solta e chega ao cérebro, pode causar um acidente vascular cerebral (AVC).

Segundo a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025, a FA aumenta, em média, em quatro vezes o risco de AVC. Ela também está ligada a maior risco de insuficiência cardíaca e de morte.

A arritmia pode causar palpitação, falta de ar, cansaço, tontura e dificuldade para fazer atividades do dia a dia. Mas há quem não sinta nada, e só descubra o problema em um exame de rotina ou, no pior cenário, depois de um AVC.

Coração acelerado nem sempre é arritmia

As taquicardias são marcadas por uma frequência cardíaca elevada. Só que o coração acelera naturalmente durante uma corrida, um susto, uma discussão ou um momento de emoção forte. Isso é normal.

O sinal de alerta é a aceleração que não combina com a situação: aparece do nada, com a pessoa parada, se repete com frequência ou vem acompanhada de outros sintomas.

"Uma das dúvidas mais comuns é se todo coração acelerado representa uma arritmia. Não. A frequência cardíaca aumenta normalmente em diversas situações. O que precisa investigar é uma aceleração inesperada, recorrente, muito intensa ou acompanhada de sintomas como tontura, desmaio, dor no peito ou falta de ar", explica Pisani.

Coração lento: quando é normal e quando não é

A bradicardia é o contrário: o coração bate devagar. E aqui também há nuances. Atletas e pessoas com bom condicionamento físico costumam ter frequência mais baixa em repouso, e durante o sono os batimentos caem naturalmente para todo mundo.

O problema começa quando o coração fica tão lento que não consegue bombear sangue suficiente para o organismo. Aí podem surgir cansaço fora do comum, tontura, fraqueza, falta de ar, confusão mental e desmaios.

Só a avaliação médica consegue separar uma característica normal da pessoa de uma falha no sistema elétrico do coração.

A batida que parece "falhar"

Quem já sentiu o coração "parar por um segundo" ou dar um tranco no peito provavelmente teve uma extrassístole. Trata-se de um batimento que acontece antes do momento esperado, seguido de uma pequena pausa que dá essa sensação de falha.

Extrassístoles são comuns e podem aparecer em pessoas sem nenhuma doença cardíaca. Estresse, noites mal dormidas e estimulantes, como cafeína em excesso, estão entre os fatores que podem favorecê-las.

Ainda assim, vale ficar atento. Se as palpitações se tornam frequentes, intensas ou vêm com outros sintomas, a recomendação é procurar um médico.

Sinais que pedem atendimento imediato

Nem toda alteração no ritmo é uma emergência. Mas palpitações acompanhadas de algum destes sinais exigem atendimento médico sem demora:

  • dor ou sensação de pressão no peito;
  • falta de ar importante;
  • tontura forte;
  • desmaio;
  • mal-estar súbito.

Nesses casos, procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU, no 192.

Como a arritmia é diagnosticada

O exame básico é o eletrocardiograma (ECG), que registra a atividade elétrica do coração em poucos minutos. O problema é que muitas arritmias vão e voltam, e podem simplesmente não aparecer justamente na hora do exame.

Para esses casos, existe o Holter, um pequeno aparelho que a pessoa usa preso ao corpo, geralmente por 24 horas ou mais, e que grava os batimentos durante a rotina normal. Assim, o médico consegue flagrar alterações que surgem de vez em quando. Dependendo do caso, outros exames podem ser pedidos para avaliar a estrutura do coração.

Relógios inteligentes com função de eletrocardiograma também podem registrar episódios suspeitos e ajudar na conversa com o médico. Mas não substituem a consulta nem o diagnóstico feito por um profissional.

E um alerta importante: não dá para descobrir sozinho qual é a arritmia só pela sensação no peito.

"Sintomas semelhantes podem estar relacionados a alterações completamente diferentes. A investigação permite identificar o tipo de arritmia, avaliar seus riscos e definir se existe necessidade de tratamento", afirma o presidente da SOBRAC.

Tem tratamento?

Sim, e ele varia bastante conforme o tipo e a gravidade. Algumas extrassístoles, por exemplo, podem não exigir remédio, apenas acompanhamento e mudanças de hábito. Outras arritmias são tratadas com medicamentos para controlar o ritmo ou a frequência cardíaca.

Na fibrilação atrial, muitos pacientes precisam de anticoagulantes para reduzir o risco de AVC. Há ainda procedimentos como a ablação por cateter, que atua sobre a área do coração responsável pela alteração elétrica, e o marca-passo, usado em alguns casos de bradicardia.

A escolha depende sempre da avaliação do cardiologista. Por isso, a automedicação é perigosa.

Atenção aos sinais faz diferença

A mensagem dos especialistas é clara: sentir o coração diferente não é motivo para pânico, mas também não deve ser ignorado quando se repete ou vem acompanhado de outros sintomas.

"Palpitação frequente, coração acelerado sem motivo aparente, batimentos muito lentos, tonturas ou episódios de desmaio são situações que merecem atenção. Quanto mais cedo identificamos uma alteração do ritmo cardíaco, maior é a possibilidade de orientar o paciente e evitar complicações", conclui Pisani.

Fontes consultadas

  • Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC): dados sobre prevalência e entrevista com o presidente, Dr. Cristiano Faria Pisani
  • Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial (2025)


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