Inchaço que não passa, dor na barriga e saciedade rápida podem ser sinais de alerta. Especialistas também desfazem três mitos sobre a doença.
O câncer de ovário costuma ser descoberto tarde, e a explicação está nos sintomas: eles aparecem de forma discreta e se parecem com incômodos que quase toda mulher já sentiu. Inchaço, dor na barriga, vontade frequente de urinar. Na maioria das vezes, isso tem outra causa. Quando dura semanas, porém, merece uma investigação médica.
Esse é o alerta da oncologista Nanditha Sesikeran, em entrevista ao site indiano HealthShots. Segundo ela, os sintomas iniciais são sutis, vagos e facilmente confundidos com problemas de saúde comuns. A consequência é que muitas mulheres só recebem o diagnóstico em estágios mais avançados, quando o tratamento fica mais complexo e os resultados, menos favoráveis.
Os sinais que costumam passar despercebidos
Nenhum desses sintomas, sozinho, indica câncer. O que chama a atenção dos especialistas é o conjunto e, principalmente, a duração.
Inchaço abdominal persistente. É o sinal mais lembrado. Todo mundo sente a barriga estufada depois de uma refeição pesada ou perto da menstruação. O alerta vale quando o inchaço não melhora mesmo depois de mudar a alimentação.
Dor na pelve ou na barriga. Pode ser confundida com cólica menstrual, gastrite ou problemas intestinais. Por isso é comum tratar o sintoma durante meses sem que ninguém pense em investigar os ovários.
Saciedade rápida ou dificuldade para comer. A pessoa come pouco e já se sente cheia. Segundo a oncologista, isso pode indicar pressão causada por uma massa crescendo na região abdominal.
Vontade frequente de urinar. Muitas vezes é tratada como infecção urinária. Se os exames de urina vêm normais e o sintoma continua, vale voltar ao consultório e relatar tudo ao médico.
Na lista de sinais gerais que podem preceder um diagnóstico de câncer, o material de base cita ainda perda de peso sem explicação, cansaço persistente e mudanças no apetite. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas devem ser avaliados quando persistem ou fogem do padrão habitual.
A regra das duas semanas
A oncologista resume o ponto central em uma frase: o que torna esses sintomas perigosos é a persistência. Episódios ocasionais de inchaço ou desconforto são normais. Sintomas que durem mais de duas semanas devem levar a uma avaliação médica.
Na prática, vale anotar o que você sente:
- quando os sintomas começaram;
- com que frequência aparecem;
- se pioram em algum momento do dia ou do ciclo menstrual;
- o que você já tentou para melhorar, como dieta ou medicamentos.
Chegar à consulta com essas informações ajuda o médico a decidir quais exames pedir. Em geral, a investigação começa com exame clínico, ultrassonografia pélvica e exames de sangue, mas a conduta depende de cada caso e é o profissional que define.
Três mitos sobre o câncer de ovário
Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, de Portugal, a médica Mônica Pires, presidente da seção de ginecologia oncológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, esclareceu crenças que confundem muitas mulheres.
Mito 1: só atinge mulheres mais velhas
A doença é mais frequente entre mulheres de 60 a 70 anos, mas pode surgir em qualquer idade. Alguns tipos específicos de tumor costumam aparecer mais cedo. Ou seja, a idade aumenta a probabilidade, mas não exclui as mais jovens.
Mito 2: sem histórico na família, não há risco
A maior parte dos casos é esporádica, isto é, ocorre sem histórico familiar conhecido. Por outro lado, famílias com casos de câncer de mama ou de outros tumores ligados a mutações genéticas podem ter risco maior para o de ovário.
Por isso, a avaliação genética é recomendada quando há histórico familiar relevante ou diagnósticos em idade precoce. Se na sua família houve casos assim, conte isso ao seu médico, mesmo que ninguém tenha falado em ovário.
Mito 3: a vacina contra o HPV protege contra câncer de ovário
Não protege. Segundo Mônica Pires, o câncer de ovário não está relacionado à infecção por HPV e, portanto, não pode ser prevenido pela vacina. A imunização protege contra lesões e tumores associados ao vírus, como os de colo do útero, vulva, vagina, ânus e alguns tipos de câncer de garganta.
Isso não diminui a importância da vacina, que continua sendo uma das principais formas de prevenção do câncer de colo do útero e está disponível no SUS para os grupos indicados pelo Ministério da Saúde. Só é preciso saber que ela não substitui a atenção aos sintomas do ovário.
Por que o Papanicolau não resolve
Uma confusão comum é achar que o exame preventivo detecta qualquer câncer ginecológico. O Papanicolau rastreia alterações no colo do útero, não nos ovários. Uma mulher pode estar com o preventivo em dia e, ainda assim, precisar de investigação se tiver os sintomas descritos acima. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) reúne informações oficiais sobre os tipos de câncer, os fatores de risco e a prevenção.
Quando procurar atendimento
Marque uma consulta com ginecologista ou clínico geral se:
- o inchaço ou a dor na barriga durarem mais de duas semanas;
- a sensação de estar cheia com pouca comida se repetir;
- a vontade de urinar continuar frequente sem causa aparente;
- houver perda de peso sem motivo, cansaço fora do comum ou mudança no apetite;
- existir histórico familiar de câncer de mama ou de ovário.
Quem depende do SUS pode começar pela unidade básica de saúde mais próxima, que faz o primeiro atendimento e encaminha para exames e especialistas quando necessário.
O que fica
Não há motivo para pânico diante de um inchaço passageiro. Mas o corpo costuma avisar, e o aviso, nesse caso, é baixinho. Sintomas que duram mais de duas semanas, mesmo que pareçam banais, merecem ser levados a um médico. A dúvida tirada cedo custa uma consulta, e o diagnóstico precoce é justamente o que aumenta as chances de sucesso no tratamento.
Fontes consultadas
- HealthShots, entrevista com a oncologista Nanditha Sesikeran sobre sintomas iniciais do câncer de ovário: healthshots.com
- Lifestyle ao Minuto, entrevista com a médica Mônica Pires, da Sociedade Portuguesa de Ginecologia: noticiasaominuto.com
- Instituto Nacional de Câncer (INCA): gov.br/inca
- Ministério da Saúde, vacinação contra o HPV: gov.br/saude
Esta matéria não faz diagnóstico nem substitui consulta médica. Se você tem sintomas que persistem, procure um profissional de saúde.
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