Cuidado! Se você acorda assim, sua pressão pode estar nas alturas (e você nem sabe)

 


Pressão alta, pressão baixa ao levantar, apneia do sono e até o café de todo dia podem estar por trás do mal-estar matinal. Saiba como diferenciar e quando procurar socorro.

Quem acorda com a cabeça latejando e sente o chão "girar" ao sair da cama costuma pensar logo na pressão. A suspeita faz sentido, mas é apenas uma das possibilidades. Na maioria das vezes, a pressão alta não dá sintoma nenhum. E a tontura da manhã pode vir justamente do contrário: a pressão caindo de repente.

Descobrir a causa é mais simples do que parece. A dica que mais ajuda o médico é saber quanto estava a pressão no exato momento do sintoma.

Pressão alta dá dor de cabeça? Só em níveis bem altos

A ideia de que "dor na nuca é sinal de pressão alta" é muito difundida, mas as evidências não confirmam essa relação para aumentos leves ou moderados.

A Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3) é a referência mundial usada por neurologistas. Ela só atribui a dor de cabeça à hipertensão quando a pressão chega a 180 mmHg de máxima ou 120 mmHg de mínima (o famoso "18 por 12"), ou passa desses valores. Nesses casos, a dor costuma melhorar quando a pressão volta ao normal.

Por isso, alguém com pressão em 14 por 9 e dor de cabeça provavelmente tem outra causa para a dor. Essa pessoa também precisa tratar a pressão, porque o risco da hipertensão está no dano silencioso a coração, rins, cérebro e olhos, mesmo sem sintomas.

O Ministério da Saúde lembra que a doença é muito comum no Brasil. Pelo levantamento Vigitel, mais de um quarto dos adultos das capitais relata ter o diagnóstico.

A tontura pode ser a pressão caindo, não subindo

Uma causa frequente de tontura ao levantar é a hipotensão ortostática, ou hipotensão postural. É uma queda da pressão logo depois que a pessoa fica de pé. Os médicos consideram esse diagnóstico quando a máxima cai 20 pontos ou mais, ou a mínima cai 10 pontos ou mais, nos primeiros três minutos em pé.

Os sinais típicos são:

  • vista escurecendo;
  • sensação de desmaio;
  • fraqueza que passa ao sentar de novo.

O quadro é mais comum em algumas situações:

  • idosos;
  • pessoas desidratadas;
  • diabéticos;
  • quem usa remédios para pressão, principalmente diuréticos, ou outros medicamentos que baixam a pressão.

Esse ponto é importante para quem já trata hipertensão. A tontura pode indicar que a dose ficou forte demais, e não que a pressão está alta. Por isso, nunca aumente nem suspenda o remédio por conta própria. Leve essa observação ao médico.

Uma dica prática ajuda muito: antes de levantar, sente na beira da cama por um ou dois minutos.

Outras causas comuns da dor de cabeça matinal

Apneia do sono. O ronco alto com pausas na respiração faz o oxigênio cair durante a noite. A dor de cabeça típica aparece ao acordar, dos dois lados da cabeça, em pressão, e costuma sumir em até quatro horas. A apneia também favorece a pressão alta, por isso as duas condições muitas vezes aparecem juntas. A Associação Brasileira do Sono orienta procurar avaliação quando há ronco frequente e sono que não descansa.

Bruxismo. Ranger ou apertar os dentes à noite deixa dor nas têmporas e na mandíbula pela manhã.

Excesso de analgésico. Quem toma remédio para dor de cabeça em muitos dias do mês pode desenvolver a chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Nesse caso, a dor costuma estar presente já ao despertar.

Falta de cafeína. Quem toma muito café durante a semana pode acordar com dor de cabeça quando atrasa a primeira xícara. É comum no fim de semana, porque os sintomas de abstinência começam entre 12 e 24 horas depois da última dose.

Álcool, jejum e pouca água. Beber na noite anterior, jantar muito cedo ou tomar pouco líquido favorece dor e tontura ao acordar.

Labirinto. Na vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), a pessoa sente o ambiente girar por alguns segundos ao virar na cama, deitar ou levantar. É a causa mais comum de vertigem, e o tratamento costuma ser uma manobra simples feita no consultório.

Como medir a pressão em casa sem erro

Um número errado confunde mais do que ajuda. Para a medida valer:

  • evite café, cigarro e exercício nos 30 minutos anteriores;
  • esvazie a bexiga e fique sentado, em repouso, por cinco minutos;
  • apoie as costas, deixe os pés no chão e as pernas descruzadas;
  • mantenha o braço apoiado na altura do coração, com a braçadeira sobre a pele;
  • não converse durante a medição.

Prefira aparelho de braço, automático e com certificação do Inmetro. Os de pulso são mais sensíveis à posição e erram com mais facilidade.

Se a suspeita é tontura postural, meça deitado e depois de novo após um e três minutos em pé. Anote os números e leve para a consulta.

Quando é caso de pronto-socorro

Não espere passar se a dor de cabeça e a tontura vierem junto com qualquer um destes sinais:

  • dor no peito ou falta de ar;
  • visão turva, dupla ou perda de parte da visão;
  • confusão mental;
  • fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
  • dificuldade para falar;
  • dor de cabeça súbita e muito forte, "a pior da vida".

Os sinais neurológicos podem indicar AVC. O Ministério da Saúde divulga um teste rápido com a palavra SAMU:

  • Sorriso: peça para a pessoa sorrir e veja se a boca entorta;
  • Abraço: veja se ela consegue levantar os dois braços;
  • Música: peça para cantar ou repetir uma frase e observe se a fala sai enrolada;
  • Urgente: se algum desses testes falhar, ligue 192.

Um cuidado importante: pressão muito alta não deve ser derrubada às pressas em casa com doses extras de remédio. Uma queda brusca também traz riscos. A redução precisa ser feita com orientação médica.

O que levar à consulta

Se os episódios se repetem toda semana, marque avaliação com clínico, cardiologista ou neurologista. Leve anotações sobre:

  • horário em que os sintomas aparecem e quanto duram;
  • tipo de dor: latejante, em peso ou em aperto;
  • valores de pressão medidos durante o sintoma;
  • qualidade do sono e presença de ronco, se alguém puder observar;
  • consumo de café e álcool;
  • todos os remédios em uso, inclusive analgésicos e descongestionantes nasais, que podem elevar a pressão.

Essas informações ajudam a separar a causa, que pode ser pressão alta, pressão baixa ao levantar, sono ruim ou enxaqueca. O resultado costuma evitar exames desnecessários.

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