Na maioria das vezes, o pólipo é retirado no próprio exame e o problema termina ali. O que define os próximos passos é o tipo, o tamanho e a quantidade de lesões, informações que aparecem no resultado da biópsia.
Ouvir "encontramos um pólipo" durante uma colonoscopia assusta, mas a notícia costuma ser boa: a lesão foi achada antes de causar problema. Na maior parte dos casos, o médico já retira o pólipo no mesmo procedimento e envia o material para análise.
A dúvida vem depois, quando chega o laudo com termos como "adenoma tubular" ou "displasia de baixo grau". Entender essas palavras ajuda a saber se o risco é baixo ou se exige atenção maior, e de quanto em quanto tempo será preciso repetir o exame.
O que é um pólipo intestinal
O pólipo é um crescimento anormal da mucosa, a camada que reveste o intestino grosso por dentro. O gastroenterologista Cássio Vieira de Oliveira, coordenador do Serviço de Endoscopia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), compara a lesão a uma pequena "verruga" na parede do intestino. A maioria aparece no cólon ou no reto e começa benigna.
O formato também varia, e isso aparece no laudo da colonoscopia:
- Pediculado: tem uma "haste", como um cogumelo.
- Séssil: tem base larga e fica colado à parede.
- Plano: é quase rente à mucosa e mais difícil de enxergar, o que exige um bom preparo intestinal.
Por que os pólipos surgem
A idade é o fator mais importante: a frequência de pólipos aumenta com o passar dos anos. Pesam também a genética e o estilo de vida. Segundo o especialista, estão ligados ao problema a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e uma alimentação rica em carnes processadas e pobre em fibras.
Parte das pessoas tem predisposição hereditária. Em síndromes genéticas como a polipose adenomatosa familiar e a síndrome de Lynch, o risco é muito maior e o acompanhamento começa bem mais cedo.
Os sinais que podem aparecer
Na maioria dos casos, não há nenhum. É por isso que o rastreamento existe: para achar lesões em quem se sente bem.
Quando há sintomas, eles podem incluir:
- sangue nas fezes;
- mudança no hábito intestinal;
- anemia por falta de ferro, às vezes descoberta num exame de sangue de rotina;
- dor abdominal;
- raramente, obstrução do intestino.
Esses sinais não são exclusivos de pólipos, mas qualquer um deles merece avaliação médica.
Como ler o laudo: os tipos de pólipo
O tipo é a informação mais importante do resultado, porque é ele que define o risco.
Pólipos hiperplásicos pequenos
São os mais comuns entre os de baixo risco. Quando pequenos e localizados na parte final do intestino, raramente evoluem para câncer.
Adenomas
São considerados lesões pré-cancerosas, ou seja, podem acumular alterações genéticas e se transformar em câncer com o tempo. O laudo costuma especificar o subtipo:
- tubular: o mais frequente e de menor risco entre os adenomas;
- túbulo-viloso e viloso: têm risco maior.
Lesões serrilhadas
Recebem esse nome pelo aspecto "em serra" visto ao microscópio. As lesões serrilhadas sésseis e as mais avançadas também são pré-cancerosas e costumam ser planas, o que as torna mais difíceis de detectar.
Displasia
Indica o grau de alteração das células. Baixo grau significa alteração inicial. Alto grau significa alterações mais avançadas, mais próximas do câncer. Nesse caso, o acompanhamento fica mais rigoroso.
Além do tipo, contam o tamanho (1 centímetro ou mais já é considerado avançado) e o número de pólipos encontrados. "Quanto maior o pólipo e quanto mais avançadas forem suas alterações celulares, maior tende a ser o risco de transformação maligna", explica Cássio Vieira de Oliveira.
Quanto tempo leva para um pólipo virar câncer
Não há como prever para uma lesão específica, mas o processo costuma ser lento. A evolução de um adenoma até câncer leva, em média, de 7 a 10 anos, segundo o especialista, com variações conforme o tipo e a genética da lesão.
Essa lentidão é justamente o que torna a prevenção tão eficiente. Existe uma janela longa para encontrar e retirar o pólipo antes que ele se torne perigoso.
Retirar o pólipo zera o risco?
Zera o risco daquela lesão. A retirada, chamada polipectomia, é uma das formas mais eficazes de prevenir o câncer colorretal.
Isso não impede, porém, que novos pólipos surjam. A chance é maior em quem tem histórico familiar, já teve vários pólipos ou mantém fatores de risco. Por isso, o acompanhamento depois da retirada faz parte do tratamento.
De quanto em quanto tempo repetir a colonoscopia
O intervalo é definido pelo médico com base no laudo, no histórico familiar e na qualidade do exame anterior. Como referência, diretrizes internacionais, como a da força-tarefa americana de 2020, costumam orientar assim:
| Achado na colonoscopia | Intervalo de referência |
|---|---|
| Hiperplásicos pequenos na parte final do intestino | cerca de 10 anos |
| 1 ou 2 adenomas tubulares menores que 1 cm | 7 a 10 anos |
| 3 ou 4 adenomas pequenos | 3 a 5 anos |
| Adenoma de 1 cm ou mais, componente viloso ou displasia de alto grau | 3 anos |
| Pólipo grande retirado em partes | cerca de 6 meses |
Esses prazos valem para exames com bom preparo intestinal e colonoscopia completa. Se o preparo foi ruim, o médico pode pedir um novo exame antes.
Quando começar o rastreamento
Para quem não tem sintomas nem histórico familiar, sociedades médicas brasileiras de coloproctologia e endoscopia, seguindo tendência internacional, recomendam começar o rastreamento aos 45 anos.
Quem tem pai, mãe ou irmão com câncer colorretal ou adenoma avançado costuma ser orientado a começar aos 40 anos, ou 10 anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico, o que acontecer primeiro. Nas síndromes hereditárias, o início é ainda mais cedo.
Além da colonoscopia, existe o exame de sangue oculto nas fezes. Ele é mais simples e, se der positivo, leva à colonoscopia. A escolha do método deve ser conversada com o médico.
O tema importa porque o câncer colorretal está entre os mais frequentes no Brasil. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 45 mil casos novos por ano no país.
O que ajuda a prevenir
Nem todo pólipo pode ser evitado, mas alguns hábitos reduzem o risco de lesões pré-cancerosas:
- manter o peso adequado e se exercitar com regularidade;
- comer mais frutas, verduras, legumes e fibras;
- reduzir carnes processadas, como embutidos, e alimentos ultraprocessados;
- não fumar e moderar o álcool;
- controlar doenças como obesidade e diabetes.
Nenhum hábito, porém, substitui o rastreamento. É ele que encontra e retira os pólipos antes que virem câncer.
Em resumo
Encontrar um pólipo quase sempre significa que a prevenção funcionou. O laudo diz o tipo, o tamanho e o grau de alteração da lesão, e é com essas informações que o médico define quando repetir a colonoscopia. Seguir esse intervalo é o que mantém o risco baixo ao longo dos anos.
Para mais informações sobre prevenção e o exame, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia e a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva mantêm conteúdos voltados ao público.
Fontes consultadas
- Entrevista com o gastroenterologista e endoscopista Cássio Vieira de Oliveira, HC da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp (texto-base)
- Instituto Nacional de Câncer (INCA), estimativas de incidência de câncer no Brasil
- US Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer, recomendações de vigilância pós-polipectomia (2020)
- Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP)
- Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed)
Conteúdo de caráter educativo. As informações não substituem a avaliação do médico, que define exames e intervalos conforme cada caso.
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