OMS alerta que infecções por vírus e bactérias estão ligadas a milhões de casos de câncer
Uma parcela importante dos casos de câncer está associada a infecções por vírus e bactérias. Segundo um levantamento divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 2,3 milhões de novos casos registrados em 2022 estavam relacionados a agentes infecciosos, o equivalente a cerca de 13% dos casos analisados mundialmente.
Entre os principais responsáveis estão a bactéria Helicobacter pylori, conhecida como H. pylori, o papilomavírus humano (HPV) e os vírus das hepatites B e C. O vírus Epstein-Barr também aparece entre os agentes associados a diferentes tipos de câncer.
Essas infecções não significam que uma pessoa necessariamente desenvolverá um tumor. O risco depende de fatores como o tipo de agente infeccioso, a duração da infecção, as condições de saúde e a existência de medidas de prevenção e tratamento.
A pesquisa reforça a importância da vacinação, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado de infecções que podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
Quais infecções estão associadas ao câncer?
Os agentes infecciosos não provocam todos os tipos de câncer, mas alguns podem alterar o funcionamento das células ou causar inflamações persistentes que aumentam o risco de alterações malignas.
Entre os principais agentes identificados estão:
Helicobacter pylori: bactéria que infecta o estômago e está associada principalmente ao câncer gástrico.
HPV: grupo de vírus relacionado ao câncer do colo do útero e a tumores em outras regiões, como ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
Hepatite B: infecção viral que pode causar inflamação crônica no fígado e aumentar o risco de câncer hepático.
Hepatite C: também pode provocar doença crônica no fígado e contribuir para o desenvolvimento de câncer.
Vírus Epstein-Barr: associado a determinados linfomas e a outros tipos de câncer, dependendo das circunstâncias.
Essas infecções podem atuar de maneiras diferentes. Em alguns casos, interferem diretamente nos mecanismos que controlam a multiplicação das células. Em outros, provocam inflamações prolongadas que favorecem o acúmulo de danos genéticos.
Como vírus e bactérias podem provocar câncer?
De acordo com a pesquisa publicada na revista científica The Lancet Oncology, os agentes infecciosos podem contribuir para o surgimento de tumores por diferentes mecanismos. O processo varia conforme o microrganismo e o tipo de tecido afetado. <Link url="https://www.iarc.who.int/news-events/global-burden-of-cancer-attributable-to-infections-in-2024-one-in-eight-cancers-worldwide-linked-to-infections/" title="Veja o levantamento da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC)."/>
No caso de alguns vírus, a infecção pode interferir nos genes responsáveis por controlar a multiplicação e a sobrevivência das células. Quando esses mecanismos deixam de funcionar corretamente, determinadas células podem começar a se multiplicar sem controle.
Em outras situações, o material genético do vírus pode interagir com o DNA da célula infectada, favorecendo alterações que contribuem para o desenvolvimento de um tumor.
Já as bactérias podem agir de outra maneira. Quando provocam infecções persistentes, podem manter o organismo em um estado de inflamação crônica. Com o tempo, esse processo pode danificar tecidos e aumentar a possibilidade de alterações no DNA das células.
Isso não significa que toda infecção provoque câncer. Na maioria das situações, a presença de um desses agentes não resulta necessariamente no desenvolvimento de um tumor.
Como prevenir os cânceres relacionados a infecções?
O levantamento reforça que existem medidas capazes de reduzir o risco de vários tipos de câncer associados a agentes infecciosos. Entre as principais estão a vacinação, a realização de exames e o tratamento adequado das infecções.
Veja alguns cuidados importantes:
Vacinação contra o HPV: ajuda a prevenir infecções pelos tipos do vírus responsáveis por grande parte dos casos de câncer do colo do útero e por outros tumores associados ao HPV.
Vacinação contra a hepatite B: reduz o risco de infecção pelo vírus e, consequentemente, de câncer de fígado relacionado à doença.
Testagem para hepatites virais: permite identificar infecções que podem permanecer sem sintomas durante anos e possibilita o início do acompanhamento e do tratamento.
Diagnóstico e tratamento da H. pylori: quando a infecção é identificada, o tratamento indicado por um profissional de saúde pode ajudar a reduzir o risco de câncer gástrico.
Exames preventivos: o rastreamento do câncer do colo do útero pode identificar alterações antes que evoluam para uma doença invasiva.
A disponibilidade dessas medidas não significa que todos os cânceres possam ser evitados. Entretanto, a prevenção e o tratamento das infecções conhecidas por aumentar o risco da doença podem reduzir parte importante dos casos.
No Brasil, a vacinação contra o HPV e a hepatite B faz parte das estratégias de saúde pública. Para saber quais doses estão indicadas para cada faixa etária, a orientação é procurar uma unidade de saúde.
Infecção significa que a pessoa terá câncer?
Não. Ter HPV, hepatite viral, infecção por H. pylori ou contato com outros agentes associados ao câncer não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença.
O risco depende de diversos fatores, incluindo o tipo de infecção, sua duração, as características do organismo e a existência de outros fatores de risco.
Algumas infecções desaparecem espontaneamente, enquanto outras podem persistir e exigir acompanhamento médico. Por isso, o diagnóstico correto é importante para determinar se há necessidade de tratamento ou monitoramento.
A principal mensagem do estudo é que uma parcela dos casos de câncer está ligada a fatores infecciosos que podem ser prevenidos ou controlados. Ampliar a vacinação, facilitar o acesso aos exames e garantir o tratamento adequado são medidas que podem ajudar a evitar novos casos.
Fontes consultadas
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