Fintech passa a oferecer crédito sem garantia de £ 2 mil a £ 25 mil e entra na disputa com bancos tradicionais britânicos. Produto não está disponível no Brasil.
A Revolut começou a oferecer empréstimos pessoais sem garantia no Reino Unido. O banco digital, conhecido por contas, cartões e transferências internacionais, agora empresta de 2 mil a 25 mil, com juros anuais de 6,9% a 29,3%. A liberação é gradual e começa por um grupo selecionado de clientes.
Para quem mora no Brasil, a novidade não muda nada por enquanto. O produto vale só para o mercado britânico. Mesmo assim, ela mostra para onde vão os bancos digitais: deixar de ser apenas o app de pagamentos e virar o banco principal do cliente.
Como funciona o empréstimo
O crédito é sem garantia, ou seja, o cliente não precisa oferecer imóvel ou veículo para conseguir o dinheiro. A aprovação depende da análise de crédito e da situação financeira de cada pessoa.
As condições anunciadas são estas:
- Valor: de 2 mil a £ 25 mil
- Juros: de 6,9% a 29,3% ao ano
- Prazo: de um a cinco anos
- Contratação: pelo aplicativo, sujeita à aprovação
- Disponibilidade: lançamento gradual para clientes elegíveis
Depois da aprovação, o dinheiro pode cair na conta em poucos minutos. As parcelas também são acompanhadas pelo app.
A taxa de 6,9% é o piso, e não uma promessa para todos. O juro de cada cliente depende do histórico de crédito e do perfil financeiro. Quem tem pior avaliação pode pagar bem mais, até o teto de 29,3%.
Quem pode pedir
A Revolut tem cerca de 14 milhões de clientes no Reino Unido e pretende ampliar o acesso a essa base nos meses seguintes. Ter conta no banco, portanto, ainda não garante que a oferta apareça no aplicativo.
Entre os requisitos estão:
- ter 18 anos ou mais;
- morar legalmente no Reino Unido, com endereço permanente e número de celular britânico;
- ter conta Revolut aberta há mais de 30 dias;
- ter renda anual acima de £ 12 mil;
- ter histórico financeiro considerado adequado.
Quem cumpre tudo isso ainda pode ter o pedido recusado após a análise individual.
O processo começa no app, onde o cliente consulta se é elegível e vê uma oferta personalizada. Essa primeira verificação não afeta a pontuação de crédito. A solicitação completa envolve uma análise mais detalhada e pode deixar registro que outros credores enxergam.
Por que a Revolut entra nesse mercado
Fundada em 2015, a fintech quer vender mais produtos dentro de um mesmo aplicativo e aumentar a receita por cliente. Segundo a diretora executiva da empresa no Reino Unido, Francesca Carlesi, a ambição é transformar o app de gastos do dia a dia no principal banco dos britânicos.
O empréstimo é uma das peças desse plano. A empresa também anunciou a intenção de lançar um cartão de crédito no país e demonstrou interesse em hipotecas no futuro, sem cronograma definido.
O que muda para os bancos tradicionais
A Revolut passa a competir com instituições como HSBC, Barclays, Lloyds, NatWest e Santander, que já têm décadas de experiência em avaliar risco. Para o consumidor, a concorrência tende a trazer contratação mais simples e rápida.
Mas rapidez não é o mesmo que preço baixo. Antes de fechar qualquer empréstimo, vale comparar juros, prazo e custo total.
Há uma diferença importante. Bancos tradicionais têm histórico mais longo de movimentações e pagamentos dos clientes. A Revolut nem sempre tem essa profundidade de dados próprios e, por isso, complementa a análise com informações de fornecedores externos.
Os riscos da operação
Emprestar dinheiro gera receita com juros, mas também expõe a empresa a perdas quando o cliente não paga. O cenário britânico pede cuidado: inflação persistente e dificuldades no mercado de trabalho pressionam o orçamento das famílias e podem aumentar atrasos.
A Revolut informou que pretende transferir parte relevante desse risco no futuro por meio da securitização. Nessa operação, empréstimos são reunidos e transformados em títulos negociáveis. A empresa também quer manter a relação entre empréstimos e depósitos próxima de 6%. O resultado dependerá da qualidade dos contratos e do controle da carteira.
A expansão acontece sob olhar atento dos reguladores. Em 2025, o banco central da Lituânia multou a Revolut em € 3,5 milhões por falhas nos controles de monitoramento de transações. O caso não prova problema algum na nova carteira de crédito, mas mostra por que controles sólidos importam à medida que a empresa cresce.
Está disponível no Brasil?
Não. As condições divulgadas valem só para o Reino Unido e não representam oferta de crédito para clientes no Brasil. A Revolut opera em vários países, mas cada mercado tem seus próprios produtos e regras. Uma eventual chegada do empréstimo a outros países dependeria de anúncio específico da empresa.
O que vem a seguir
A prioridade é ampliar a oferta aos poucos no Reino Unido e observar como os clientes respondem. O sucesso vai depender de atrair consumidores, manter condições competitivas e controlar a inadimplência. Cartão de crédito e hipotecas fazem parte dos planos, mas ainda sem datas.
Para o consumidor britânico, a regra é a de sempre: conferir a taxa real oferecida, o prazo e o valor total a pagar antes de assinar. Para o brasileiro, o recado é de acompanhamento, porque nada muda por enquanto.
Fontes consultadas
- Comunicado e declarações da Revolut sobre o lançamento do empréstimo pessoal no Reino Unido (informações do material-base)
- Banco central da Lituânia, sobre a multa aplicada à Revolut em 2025 (informação do material-base)
