Carcinoma de células escamosas: O tipo de câncer vaginal mais comum e os sinais que as mulheres não podem ignorar!

 


O carcinoma de células escamosas é o tipo mais comum de câncer que se origina na vagina. Embora seja uma doença rara, o tumor merece atenção porque pode permanecer sem sintomas claros no início e acabar sendo identificado em uma fase mais avançada.

A doença está frequentemente relacionada à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente pelos tipos considerados de alto risco. Segundo o National Cancer Institute (NCI), cerca de dois terços dos casos de câncer vaginal estão relacionados ao HPV.

Isso não significa, porém, que toda mulher infectada pelo vírus desenvolverá câncer. Na maioria das situações, a infecção pelo HPV não evolui para um tumor. O problema está principalmente na persistência da infecção e no surgimento de alterações celulares que podem, ao longo do tempo, progredir.

O que é o carcinoma de células escamosas da vagina?

A parede interna da vagina é revestida por células, entre elas as chamadas células escamosas. Quando essas células sofrem alterações e passam a se multiplicar de maneira descontrolada, pode surgir o carcinoma de células escamosas.

Antes de se transformar em um câncer invasivo, a alteração pode passar por uma fase pré-cancerosa. Nessa etapa, as células apresentam alterações, mas ainda não invadiram tecidos mais profundos.

O acompanhamento médico é importante justamente porque identificar uma alteração antes da progressão para um câncer invasivo pode facilitar o tratamento.

O câncer vaginal é considerado raro quando comparado a outros tumores ginecológicos. Além disso, não se deve confundir um tumor que começa na vagina com um câncer de outro órgão que posteriormente se espalha para a região. Essa diferença é importante para determinar o diagnóstico e o tratamento.

HPV é a principal causa?

A infecção pelo HPV é um dos principais fatores associados ao carcinoma de células escamosas vaginal. O vírus pode permanecer no organismo durante anos e, em determinadas situações, provocar alterações nas células da região genital.

O NCI aponta a infecção por HPV como um importante fator de risco para o câncer vaginal, especialmente para o carcinoma de células escamosas.

Entretanto, é incorreto dizer que o HPV sozinho determina o aparecimento da doença.

A evolução para o câncer depende de uma combinação de fatores. Algumas pessoas eliminam o vírus naturalmente, enquanto outras apresentam uma infecção persistente que pode provocar alterações celulares.

Entre os fatores associados ao maior risco estão:

  • idade mais avançada;

  • infecção pelo HPV;

  • tabagismo;

  • imunidade comprometida;

  • histórico de alterações pré-cancerosas ou determinados cânceres ginecológicos;

  • exposição ao dietilestilbestrol (DES) durante a gestação, em situações históricas específicas.

O DES, por exemplo, foi utilizado décadas atrás por algumas gestantes. A exposição antes do nascimento está relacionada a um tipo raro de tumor vaginal chamado adenocarcinoma de células claras. Atualmente, esse câncer é extremamente raro.

Quais sintomas podem aparecer?

Um dos problemas do câncer vaginal é que ele pode não provocar sintomas evidentes nas fases iniciais.

Quando os sinais aparecem, o sangramento vaginal anormal está entre as alterações que merecem investigação. O NCI cita dor e sangramento vaginal anormal entre os principais sinais associados à doença.

Dependendo da localização e do estágio do tumor, podem ocorrer:

  • sangramento vaginal fora do período menstrual;

  • sangramento após a relação sexual;

  • sangramento vaginal depois da menopausa;

  • corrimento vaginal diferente do habitual;

  • dor durante a relação sexual;

  • dor ou pressão na região pélvica;

  • presença de uma massa ou lesão na vagina;

  • dificuldade para urinar;

  • alterações ou dificuldade para evacuar em casos mais avançados.

Esses sintomas não significam necessariamente câncer. Infecções, alterações hormonais, pólipos, miomas e diversas outras condições podem provocar sintomas semelhantes.

O ponto importante é outro: uma alteração persistente, principalmente sangramento inexplicado depois da menopausa ou sangramento recorrente após relações sexuais, deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Como o câncer vaginal é descoberto?

O diagnóstico não é feito apenas pelos sintomas.

Durante a avaliação, o médico pode realizar exame ginecológico para observar a vagina e identificar áreas anormais. Dependendo do que for encontrado, podem ser solicitados exames complementares.

A confirmação geralmente depende da análise de uma amostra do tecido, obtida por meio de biópsia.

Exames de imagem também podem ser utilizados para verificar o tamanho do tumor e avaliar se a doença atingiu estruturas próximas ou outras regiões do corpo.

O objetivo dessa investigação é descobrir não apenas se existe um câncer, mas também qual é o tipo do tumor e até onde ele se espalhou.

Essa informação é fundamental para definir o tratamento.

O tratamento depende do estágio da doença

Não existe um único tratamento para todos os casos de câncer vaginal.

A escolha depende de fatores como localização do tumor, tamanho, extensão da doença, presença ou não de comprometimento de estruturas próximas e condições gerais da paciente.

Entre as principais opções estão a cirurgia e a radioterapia. Em determinadas situações, a quimioterapia pode ser utilizada em conjunto com a radioterapia ou em outras estratégias definidas pela equipe médica. O NCI também descreve diferentes abordagens cirúrgicas e combinações de tratamentos para a doença.

Em tumores pequenos e localizados, a cirurgia pode ser uma opção importante. Já em outras situações, especialmente quando a localização ou extensão da doença dificulta a retirada completa do tumor, a radioterapia pode ter papel central.

A braquiterapia, por exemplo, é uma modalidade de radioterapia na qual a fonte de radiação é colocada próxima ao tumor.

Nos casos mais avançados, o tratamento pode envolver uma combinação de técnicas.

Por isso, não é possível determinar o tratamento adequado apenas com base no tipo de câncer. O estadiamento é indispensável.

O câncer vaginal pode matar?

Sim. Como outros tipos de câncer, o carcinoma vaginal pode levar à morte, principalmente quando é descoberto depois de se espalhar para estruturas próximas ou órgãos distantes.

Mas o diagnóstico de câncer vaginal não significa que a doença seja necessariamente fatal.

O estágio no momento do diagnóstico tem grande influência no prognóstico. Dados da American Cancer Society baseados no banco SEER mostram uma sobrevida relativa em cinco anos de 76% para câncer vaginal localizado, 59% para doença regional e 24% quando há disseminação para regiões distantes.

Esses números não representam uma previsão individual. Eles são estatísticas obtidas a partir de grandes grupos de pacientes e podem variar conforme idade, estado geral de saúde, características do tumor, resposta ao tratamento e outros fatores.

Além disso, os dados não significam que uma pessoa diagnosticada com câncer terá exatamente aquele resultado.

A principal mensagem é que quanto mais cedo a doença for identificada, maiores tendem a ser as possibilidades de controle e tratamento.

Existem outros tipos de câncer vaginal?

Embora o carcinoma de células escamosas seja o tipo mais frequente, ele não é o único.

O câncer vaginal pode incluir outros tumores, como:

Adenocarcinoma: surge em células glandulares. O adenocarcinoma de células claras é um subtipo raro associado historicamente à exposição ao DES durante a gestação.

Melanoma vaginal: desenvolve-se a partir dos melanócitos, células responsáveis pela produção de pigmento. É uma forma rara de câncer vaginal.

Sarcomas: são tumores que se originam em tecidos de sustentação. Alguns tipos podem aparecer principalmente em determinadas faixas etárias, inclusive em crianças.

Além disso, uma lesão encontrada na vagina nem sempre representa um câncer que começou naquele local. Um tumor originado em outro órgão pode atingir a vagina por extensão ou disseminação.

O NCI reconhece carcinoma de células escamosas, adenocarcinoma, melanoma e sarcoma entre os principais tipos de câncer vaginal.

Existe alguma forma de prevenção?

Uma das principais estratégias de prevenção está relacionada ao HPV.

A vacinação contra o vírus ajuda a prevenir infecções pelos tipos de HPV contra os quais a vacina oferece proteção. O NCI destaca que as vacinas contra HPV podem reduzir o risco de câncer vaginal.

No Brasil, a vacinação contra o HPV faz parte das estratégias de prevenção adotadas pelo Sistema Único de Saúde.

Também é importante não fumar, manter acompanhamento ginecológico e procurar atendimento diante de alterações persistentes.

Vale destacar que o câncer vaginal é diferente do câncer do colo do útero. Portanto, o acompanhamento recomendado para o colo do útero não deve ser interpretado como um exame que elimina completamente a possibilidade de outros tumores ginecológicos.

Quando procurar um médico?

Não é preciso esperar que a dor apareça para procurar atendimento.

Sangramento vaginal sem explicação, principalmente depois da menopausa, sangramento recorrente após relações sexuais, corrimento persistente ou uma alteração percebida na vagina são motivos para avaliação médica.

Na maioria das vezes, esses sinais terão outra explicação. Porém, somente uma avaliação adequada pode determinar a causa.

O câncer vaginal é raro, mas justamente por isso alterações persistentes podem acabar sendo atribuídas a problemas mais comuns e investigadas tardiamente.

Fontes consultadas

  • National Cancer Institute (NCI) — informações sobre câncer vaginal, fatores de risco, sintomas e tratamento.

  • American Cancer Society — dados de sobrevida do câncer vaginal.

  • Instituto Nacional de Câncer (INCA) — informações sobre fatores de risco, prevenção e detecção precoce do câncer.

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