Sangramento fora do período, dor na relação sexual e mudanças no ciclo menstrual não devem ser tratados como "normais", alerta ginecologista
O Outubro Rosa é conhecido pela campanha contra o câncer de mama, mas especialistas aproveitam o mês para lembrar que a saúde da mulher envolve muito mais do que as mamas. Alterações no ciclo menstrual, dores persistentes e desconfortos íntimos são sinais que costumam ser deixados de lado, mesmo quando se repetem ou fogem do padrão de cada mulher.
Para a ginecologista Bianca Bocchi, do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, observar o próprio corpo é uma das formas de identificar mudanças cedo e buscar orientação. "Nem todo sintoma significa uma doença, mas alterações persistentes ou fora do padrão merecem ser investigadas", explica.
O ponto central é a persistência. Um desconforto isolado pode não ter importância, mas o que se repete, piora ou atrapalha o dia a dia precisa de avaliação profissional.
Sinais que pedem atenção
Sangramento fora da menstruação. Sangrar entre os ciclos, depois da relação sexual ou, principalmente, após a menopausa precisa ser investigado. As causas são variadas, e só a consulta permite descobrir a origem.
Menstruação muito diferente do habitual. Fluxo bem mais intenso, ciclos que ficam muito irregulares ou mudanças que não passam podem estar ligados a alterações hormonais ou a outras condições ginecológicas.
Dor pélvica frequente. Cólicas fortes ou dor na região da pelve que aparecem com frequência, pioram com o tempo ou atrapalham a rotina não devem ser vistas como "parte de ser mulher".
Dor durante a relação sexual. Esse é um dos sintomas que mais demoram a ser levados ao consultório. Segundo a médica, muitas mulheres acreditam que o incômodo é normal e adiam a busca por ajuda. "Existem diferentes causas possíveis e, em muitos casos, há tratamento", afirma.
Corrimento diferente. Mudança de cor, cheiro ou consistência, principalmente com coceira, ardência ou dor, pode indicar infecção ou outra condição que precisa de avaliação.
Mudanças nas mamas. Nódulos, retração da pele ou do mamilo, alteração no formato e secreção pelo mamilo devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Sintomas intensos na menopausa. Ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal e mudanças no ciclo fazem parte da transição para a menopausa. Quando atrapalham a rotina, há formas de acompanhamento e tratamento.
Conhecer o corpo não substitui o exame
Em relação às mamas, a ginecologista faz uma ressalva importante. Conhecer o próprio corpo e perceber mudanças ajuda, mas não dispensa o acompanhamento médico nem os exames indicados para cada faixa etária e perfil de risco.
"O Outubro Rosa tem um papel importante justamente por estimular a mulher a olhar para a própria saúde", ressalta Bianca Bocchi.
O cuidado vai além de outubro
A consulta ginecológica de rotina permite avaliar vários aspectos ao mesmo tempo, como idade, histórico familiar, saúde sexual e reprodutiva, vacinação e exames preventivos. Esse acompanhamento pode ser individualizado e ajuda a identificar alterações que, quando descobertas cedo, podem ter melhores possibilidades de tratamento.
A médica reforça que o mês serve para chamar a atenção, mas o cuidado precisa ser contínuo. "A prevenção não deve acontecer apenas em outubro", destaca.
O que fazer na prática
Se você percebeu algum dos sinais acima e ele persiste, a orientação é marcar uma consulta e descrever tudo com clareza, incluindo há quanto tempo o sintoma aparece e o que mudou. Mulheres que já estão há muito tempo sem consulta de rotina também podem aproveitar o mês para retomar o acompanhamento.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica nem diagnóstico.
Fontes consultadas
- Orientações e declarações da ginecologista Bianca Bocchi, do Hospital Edmundo Vasconcelos (São Paulo), a partir de material de divulgação do Outubro Rosa.
